Brave New World
A quase um mês atrás, falei sobre minha vontade de iniciar um linux from scratch na minha máquina, com a intenção de deixá-la mais rápida e estável. Já conhecia o Gentoo (alguem sabe pelo amor de Deus como se pronuncia isso corretamente?) a algum tempo, pois uma empresa em que trabalhei o usava em alguns de seus servidores, e essa experiência foi suficiente para me deixar com ódio mortal do dito cujo.
Felizmente, o problema não era o Gentoo, e sim quem o instalou. Resolvi começar do zero, lendo a vasta e muito bem escrita documentação, e instalando passo-a-passo. Fdisk’s, mkfs’s e mkswap’s depois, dei o primeiro boot no Gentoo. Apanhei muito, pq como ainda era uma experiência, fiz a instalação em meu HD móvel USB, e até descobrir o pulo do gato para que o kernel reconhecesse o storage usb, foi mais de uma dezena de reboots.

A primeira impressão foi de espanto. O bicho reconheceu todo o meu hardware, sem traumas. Logo após, comecei a brincar com o portage, preparando minhas USE flags, que como o nome sugere, são flags que ditam exatamente quais recursos você pretende usar, para que os mesmos sejam compilados junto linkado a bibliotecas que dependam destes. Foi um longo processo, mas bem divertido. Usei um programinha chamado ufed para selecionar as USE flags que eu usaria. Acertei as configurações do GCC, para que o mesmo compilasse em 64bits, para que eu aproveitasse o máximo do meu Athlon 64. Depois de um emerge -e world, que recompilou TUDO do meu sistema, segundo as flags que eu havia setado previamente, e produzindo binários 100% 64bits, veio o tão esperado momento: emerge -Da kde. Isso eram mais ou menos 9h da noite, e na manhã seguinte, quando eu saí para trabalhar, o KDE ainda estava sendo compilado. Tá bom, eu confesso. Usei -O3 no GCC. Não resisti.
Bom, resumo da ópera. Depois de uma semana de leitura, tentativa e erro, havia migrado meu micro de casa e a estação Dell do trabalho. Ambas 64bits, e com todas as firulas que um Ubuntu ou openSUSE da vida tem. Beryl, anti-aliasing, etc. As duas tão rock-solid que era dificil de acreditar ser verdade. Pra quem diz que é babaquice compilar tudo, e acha que o apt-get é o supra sumo do universo, posso garantir: não é. Minhas máquinas estão mais rápidas e estáveis do que nunca, e eu mais satisfeito do que nunca. Tão satisfeito, que esse fim de semana resolvi migrar meu primeiro servidor, o que uso para hospedar este blog e vários projetos pessoais e profissionais, para o Gentoo. Em um próximo post relatarei mais experiências nesse novo mundo. ![]()